LUNCH-in CONSISTE

Foto PalestranteLUNCH-in com Fernando Guerreiro

Tema: A história de vida

Resumo do evento

Fernando inicia sua palestra, dirigindo a cena: "Sentem mais perto do palco, sugiro que façam sempre isso nos teatros para que o artista não tenha a impressão de que a platéia está vazia."

Confessa que está em um momento crítico em relação a Salvador, tanto na área comportamental quanto cultural. Está levantando uma campanha para 2012 com a finalidade de resgatar a baianidade que foi banalizada. O que era axé virou pagode de quinta categoria e isso

"orgulha" as pessoas segundo o palestrante. A civilidade desapareceu, as pessoas têm um comportamento excessivamente permissivo e isso tem virado a marca da cidade: "aquela cidade onde todo mundo trepa e rala a tcheca no chão."

Fernando está preocupado com o conceito atual de "baianidade". "Pagode" e "axé" viraram baixaria. Não é a questão da música em sí mas o reflexo que ela traz nas pessoas, como os baianos tem aceitado isso?

Porém, a questão em pauta não foram as letras da música em si, mas a cumplicidade entre as mesmas e o cotidiano da cidade. Uma nova cara do pagode está em alta e traz a violência contra a mulher e a marginalidade em sua letra.

Alguma cidades, como Salvador, têm uma fisionomia própria muito forte. Fernando Guerreiro diz que sempre foi muito apaixonado por Salvador e suas diversidades, circulava muito por toda a Bahia com seus irmãos, diz que é uma cidade que tem uma cara muito forte, diferente de alguns Estados que não tem sua “marca”, sua originalidade.

Foi a partir disso que teve a curiosidade de traduzir essa Bahia numa tela e tomou a decisão de tornar Salvador sua matriz, pois se acredita que se desligando de sua cidade, perderia sua originalidade.

Fala também de como alguns amigos que saem do seu Estado e perdem suas raízes, exceto alguns exemplos como Wagner Moura e Lázaro Ramos.

Na adolescência via muita TV e queria produzir para ela mas percebeu que não havia mercado na Bahia já que toda produção era do Sul. Seu sonho de trabalhar com artes, o levou ao teatro já que não encontrou chances de trabalhar na TV. Primeiramente se achou um péssimo ator, porém não desistiu e iniciou-se como diretor de peças teatrais. Queria ser artista, mas ganhar bem.

Formou-se em economia por pressão familiar e trabalhou como economista, gerente de banco, pois sua mãe falava que se fizesse teatro iria pedir esmola, então, trabalhava em expediente normal durante o dia e fazia teatro a noite.

Não se considera um gênio e sim um grande administrador, sempre teve um lado empresarial muito forte.

Se numa empresa lidamos com vaidade, na arte lidamos com ela ao extremo. Cada ator tem um perfil, há uma exposição, talvez sejam os elementos mais difíceis que existem e quanto mais famosos pior, porque eles têm na cabeça que não podem falhar, pois tem satisfação para dar.

Sua relação com o humor sempre foi sua marca registrada. Seu avô tinha o hábito de ficar rindo das pessoas que passavam na rua.

"Não existe humor politicamente correto, humor parte da crítica, da capacidade que você tem de debochar do outro e de sí mesmo. Existem pessoas que tem vergonha de rir e brincar."

O teatro virou de ponta cabeça, antes as peças ficavam no máximo um mês e meio em cartaz, atualmente existem peças com 25 anos em cartaz. A BOFETADA, tem 25 anos em cartaz, é um fenômeno que virou um cartão postal da cidade, foi um dos primeiros espetáculos a ter a cara da Bahia. São textos cariocas adaptados a Bahia. Esse tipo de espetáculo está sempre em mudança, mesmo se assistido diversas vezes sempre haverá novidade.

Outra peça, O INDIGNADO, é fruto de situações vividas no programa de rádio RODA BAIANA, onde como locutor, ouvia sempre os ouvintes falando das suas indignações. Aliou-se a Frank Menezes, o ator mais mal humorado que conhece e construiu mais um texto, sucesso de público e crítica.

Começou-se a associar teatro a dinheiro, a comércio, no entanto para Fernando Guerreiro teatro é diversão.

A marca registrada de Fernando é o humor. Ele diz que não existe humor politicamente correto. O humor é escrachado, tem que ser relaxado e ter deboche. Acho ótimo que eu possa ganhar dinheiro me divertindo.

Finalizando, Fernando entre perguntas e respostas, citou pérolas:

"Tenho um imã que atrai malucos para perto de mim, uma fonte inesgotável de material para meus textos."

"O humor é um antídoto para os males do dia a dia."

"Rir não compromete a seriedade, mas tudo em excesso é equívoco, inclusive alegria 100% do tempo."

"Uma cidade que se diverte o ano inteiro é uma cidade doente."

"Não dá prá ser feliz o tempo inteiro."

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