LUNCH-in CONSISTE

Foto PalestranteLUNCH-in com Adary Oliveira
FUNDAÇÃO INSTITUTO MIGUEL CALMON DE ESTUDOS SOCIAIS E ECONÔMICOS - IMIC
Tema: Pensando o futuro da Bahia com Adary Oliveira

Resumo do evento

Adary apresenta-se como um sertanejo de Rui Barbosa nascido na cidade de Saúde.

Seu pai foi o grande responsável por ele ter "vencido na vida". Seu avô teve oito filhos e seu pai, sofrendo as consequências da seca foi para o Rio de Janeiro buscar seu desenvolvimento.

Enfrentou as dificuldades do despreparo intelectual e falta de estudos, só conseguindo colocação como ascensorista. Sentindo na pele a necessidade de "estudo" investiu bastante na educação dos filhos. Adary relata o impacto que foi para ele ir para Salvador estudar como interno no colégio Maristas.

Além da consciência das dificuldades que seu pai e sua família passavam para que ele pudesse estudar, Oliveira conta que jamais esquece a resposta que recebeu do irmão Roberto quando ele perguntou o que significava a sigla FTD, que via nos livros adotados na escola: "Irmão FTD é feijão todo dia?" e a resposta imediata: - " Não. FTD é fazer tudo direito".

Fez o curso de engenharia química na UFBA e como desde cedo dava aulas para ajudar a família na sua própria manutenção, tinha muita facilidade, sendo capaz de lembrar dos elementos químicos e seus respectivos pesos atômicos sem precisar recorrer à tabela periódica, devido às muitas repetições em aulas dadas, especialmente resolvendo exercícios.

Adary ajudou na educação do seu irmão mais jovem depois que se formou em engenharia.

Durante sua vida Adary sempre ensinou, começando por matemática e química até os cursos de pós -graduação na UFBA e UNIFACS.

Finalizando o breve relato sobre sua vida destacou que a educação e a cultura possibilitam a ascensão social e mudança de classe no Brasil.

Passando a falar sobre como ele vê o futuro da Bahia, enfatizou que, naturalmente contaria a versão dele, deixando todos livre, especialmente aqueles que não gostassem do que iriam ouvir para que contassem as suas próprias versões. Delineou 3 eixos principais que considera fundamentais para o desenvolvimento e futuro do Estado:

  1. Integração industrial
  2. Internacionalização das empresas
  3. Interiorização dos investimentos

Falando de integração industrial Adary contou, com a brevidade que o tempo permitia, a busca e descoberta de petróleo na Bahia e como a Refinaria Landulpho Alves RLAN foi implantada. Destaca que a Fundação Getúlio Vargas foi quem abriu o primeiro curso de administração de empresas no país, e que no primeiro manual de administração da produção por seus professores publicado, ensinava-se que a indústria se localizava onde a matéria prima estava, por exemplo perto das jazidas de carvão.

Mostrou que o conceito evoluiu para a máxima de que "indústria atrai indústria" tratando assim do tema integração industrial. Para ele, o polo petroquímico de Camaçari é um exemplo de integração industrial, mas destacou o tempo transcorrido entre a instalação da RLAN e a integração com o polo. Outros exemplos citados da dificuldade de integração industrial, com os prejuízos decorrentes citados foram o cacau e o sisal. Em ambos casos, apesar da farta produção da matéria prima na Bahia a indústria que os beneficia nunca se implantou. O petróleo foi e é importante para o desenvolvimento da Bahia.

Como exemplo dos benefícios da integração industrial citou ações da prefeitura Municipal de Camaçari na implantação do "Poloplast" no qual, em curto espaço de tempo instalaram-se mais de 60 empresas, inclusive da área de serviços e o complexo Ford.

Adary afirma que é necessário haver integração nas cadeias de produção para dar sustentação às indústrias.

Passando a falar do segundo eixo de desenvolvimento, a internacionalização das empresas, Adary lembrou da constatação de como nossas indústrias eram pequenas quando Collor abriu o mercado brasileiro ao mundo. Para exemplificar seu ponto de vista relativo à internacionalização citou o exemplo bem sucedido da celulose na Bahia.

É preciso ser grande regionalmente e ter visão de grandes mercados para sobreviver, pois para enfrentar a concorrência internacional as empresas tiveram que evoluir. Muitas empresas da área química fecharam pois não produziram tanto quanto era necessário para competir. Darwin afirma que as espécies evoluem de acordo com as mudanças do ambiente. Em economia demonstra-se que as empresas evoluem de acordo com as mudanças na economia mundial.

Lembrando de sua atividade como professor, ensinou que celulose é um produto extraído da madeira, separando-se as fibras da resina. Explicou que a resina é chamada de lignina e que a sua presença no papel o deixa sensível à luz. Citou que o papel jornal assume a cor amarela se exposto ao sol por causa da presença de lignina.

Resumiu a história da implantação da indústria de celulose no sul do Estado, mostrando que este é um segmento bastante internacionalizado e cartelizado. Que no início, quando um empresário do Espírito Santo começou a pesquisar e investir em celulose extraída do eucalipto, que tem fibras curtas, ao contrário da prática internacional onde os grandes fabricantes usam a madeira de pinho, houve muita resistência por parte de investidores e do mercado a ponto do Banco Mundial negar financiamento ao projeto, considerando-o inviável.

Adary relata a conjuntura favorável do BNDES estar sendo presidido por um capixaba que investiu no projeto da indústria de celulose com fibras curtas e do esforço feito pelos empresários para demonstrar aos compradores internacionais os benefícios de se misturar a celulose de fibra curta à massa de celulose de fibras longas.

O esforço conjunto e inserido na economia mundial, tendo a seu favor baixo custo de produção por que o ciclo de crescimento do eucalipto é de 7 anos contra 22 anos do pinho, alta produtividade devido às pesquisas de reprodução em massa de árvores que se revelaram favoravelmente produtoras de fibras com base na reprodução por cultura de tecidos e finalmente à internacionalização das empresas atentas ao mercado mundial levaram a produção de celulose na Bahia ao sucesso atual.

O Brasil, que já foi grande importador de celulose, é hoje o 3º maior produtor, atrás dos Estados Unidos e Canadá.

Finalmente Adary discorreu sobre o terceiro eixo de desenvolvimento da Bahia, a interiorização dos investimentos. Colocou o contínuo crescimento da demanda mundial por aço como um propulsor da indústria de mineração no Estado. Os altos preços praticados para o minério de ferro tem viabilizado revitalizar minerações cuja exploração foi considerada inviável quando era preciso ter um teor de pelo menos 40% de ferro no minério. Hoje, produções com 20% de teor de ferro são viáveis, o que amplia o mapa das regiões produtoras. A indústria da mineração, segundo Adary atrairá investimentos para o interior, promovendo assim o terceiro eixo de crescimento do Estado.

Falando do semiárido, Adary revela que tem algo novo acontecendo. Mostrou que a região, equivalente a 40% do território do Estado, é uma boa fonte de vento. Afirma que existem 57 projetos de fazendas de energia eólica capazes de produzir energia elétrica em montantes equivalentes aos que a usina de Itaipu produz. Mostrou que o desenvolvimento da indústria de energia eólica produz as condições desejáveis para o desenvolvimento da indústria de energia elétrica foto voltaica. O alto custo de energia elétrica no Brasil, que em média é o dobro do praticado no mercado internacional, é outro fator que eleva as chances de sucesso dos investimentos nesta área.

Falou também de pesquisas feitas pela ANP na região do baixo rio São Francisco revelou presença de gás e óleo e que o primeiro leilão de áreas de prospecção feito pela agência foi realizado com pleno êxito sendo arrematados todos os lotes disponibilizados. Existe a probabilidade de haver gás e óleo na região de Xique-xique, por exemplo.

Finalizando sua fala, depois de apresentar os eixos de crescimento e desenvolvimento para o Estado, Adary revela que também temos problemas, como questões de infraestrutura, a exemplo do estrangulamento dos portos e da falta de capacidade de escoamento da produção.

Os produtores de algodão da Bahia sofrem com o frete alto e falta de infraestrutura, mas ainda assim, com o aumento dos preços das commodities é possível ter bons lucros. Porém, se ao invés de vender a pluma, vendêssemos o fio, seria melhor. E, se tivéssemos mais investimentos em infraestrutura seria muito melhor. O Espírito Santo, o Rio de Janeiro e São Paulo dominam a exportação do país, pois tem os maiores portos. Aponta que o crescimento dos portos é uma responsabilidade do governo e deve ser anterior à demanda, inclusive para funcionar como fator atrativo de investimentos.

Dou parabéns aos produtores de frutas em Juazeiro que exportam para o mercado internacional.

Viver no sertão é difícil e pouco está sendo feito para mudar. A modernização melhorou, mas a qualidade de vida não.

Antes de finalizar, Adary lembrou nos: “A educação permite com que as pessoas possam prosperar, vencer na vida e mudar de classe.”

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