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LUNCH-in CONSISTE

Foto PalestranteLUNCH-in com Francisco Senna
TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS
Tema: Histórias pitorescas da Bahia II

Resumo do evento

Heloisa "Tangerina" Helena fez a abertura do segundo LUNCH-in apresentando Francisco Senna como um alimentador de alma. Lembrando que ele nasceu no festivo mês de fevereiro, lhe entregou a palavra conclamando a todos: “fiquem atentos e deixem o coração e a alma serem alimentados com as palavras de Chico”.

Francisco Senna destacou que nasceu numa quarta feira de cinzas, que é mais um dia de reflexão do que de festas.

Agradeceu a equipe CONSISTE pela oportunidade de estar pela segunda vez conduzindo a palestra de um LUNCH-in.

Lembrando que na primeira palestra contou a história desde o descobrimento do Brasil até chegar à Independência e por estarmos na semana do Dois de Julho, ainda comemorando esta data, retomou sua narrativa dizendo que o Brasil começava de fato a partir desse ponto.

Salvador, primeira capital do Brasil e da América portuguesa era uma cidade planejada, construída por arquitetos, teve planta e maquete. Nasceu com um objetivo explícito: ser o centro do governo e do comércio... Uma cidade destinada ao sucesso.

Em 1822 Salvador não era mais a capital do Brasil e também tinha perdido a posição de cidade mais populosa. Ainda era, contudo uma cidade mundial. Possuía o maior e mais importante porto do país.

Chico acredita que o baiano talvez seja o povo com mais facilidade de aceitar diferenças, novidades e qualquer exagero, por ser um povo formado por diversas etnias. “Somos descendentes dos indígenas, mais das índias que dos índios, dos portugueses, que foram os colonizadores e dos negros que foram a mão-de-obra”. Além desses três povos, existiam outras contribuições por que na época vivia-se uma globalização maior do comércio do Ocidente com a China, com os árabes... “Somos um caldeirão que fervilha de uma identidade cultural em construção”.

Muito desleixados com o presente, vivemos um momento que estamos chegando ao fundo do poço de uma cultura que construímos durante quatro séculos.

Para Chico Senna, Dois de Julho é um momento de parar e refletir sobre onde estamos e onde queremos chegar. Afirma que, quando olha para onde estamos, não o faz com muita alegria, mas quando olha para o futuro ele tem esperança, porque acredita na renovação.

Retomando o relato da história da Independência, conta que a Família Real veio para a Bahia, passou um mês, houve até a intenção de o Regente ficar, mas foram para o Rio de Janeiro, pois era a capital.

A Inglaterra, que foi o motivo mais importante para a fuga da Família Real de Portugal para o Brasil, também acobertou essa fuga, mas para isso fez exigências, pois tinham interesse no Brasil.

Quando a Família Real aqui chegou, o Brasil foi elevado à condição de Reino Unido, a Portugal e Algarve e Portugal passou a ser uma monarquia constitucionalista.

Chico também falou que a Independência do Brasil não foi um episódio tão épico quanto nossa história retrata. Ao ser convocado a voltar a Portugal, quando fazia uma viagem do Rio de Janeiro a São Paulo, D. Pedro I deu o brado de independência o que incluía, naquele momento apenas a libertação do sul/sudeste. Se não houvesse a luta dos baianos e a Independência da Bahia em 2 de julho de 1823 a geografia do Brasil provavelmente seria outra. Contou como o Gen. Madeira de Melo foi enviado para sitiar a cidade e como se deu a batalha em Cachoeira quando após três dias de lutas, a embarcação com os canhões que deveriam sitiar a cidade foi tomada pelos rebeldes.

Falou da resistência e luta na entrada de Salvador, no Alto dos Cabritos em Pirajá, como a batalha mais importante que definiu a realidade da Independência. Neste período houve um governo paralelo estabelecido em Cachoeira e muitos soteropolitanos fugiram para o recôncavo antes dessa batalha. Citou os heróis da Independência como a Sóror Joana Angélica, Maria Quitéria, os caboclos, negros e índios que engrossaram a luta. Relatou também a batalha do Jenipapo no Piauí, registrando que nela morreram mais brasileiros pela Independência do que na Bahia, apesar de sua importância e impacto no processo ter sido menor.

Chico contou que a primeira metade do século 19 foi marcada pela construção do cemitério dos ingleses, construção da igreja anglicana no largo do Campo Grande que foi a 1ª igreja não católica da Bahia. A cidade começava a se organizar: Acontece o fechamento de canais, primeiras obras de drenagem, construção da Av. J. J. Seabra que foi a primeira avenida de vale, pavimentação de ruas, construção de contenção de encostas, construção da ladeira da montanha (foi uma obra viária magnífica, segundo Chico) e a construção do primeiro sistema de transporte urbano sobre trilhos da América do Sul.

"Tivemos uma malha ferroviária incrível, que hoje está destruída."

"Em uma década se construiu uma linha viária sobre trilhos na cidade muito maior que esses seis quilômetros que em 11 anos não conseguimos construir até hoje." Todos riram. Foi um século de modernização e de crescimento da economia.

O século XIX foi marcado pela escravidão, embora os escravos já estivessem em processo de liberdade por compra de alforria ou fuga para quilombos. Vieram depois leis como a do Ventre Livre, do Sexagenário e Áurea.

Salvador nunca foi uma cidade de produção, foi uma cidade de comercialização e prestação de serviços. A produção ficava no interior, principalmente no recôncavo.

No século XX começamos com uma população de aproximadamente 140 mil habitantes. Entre 1912 e 1916 houve um momento de grande crescimento econômico. Foi o quando Jornal A TARDE foi criado, como mostrou o Professor Edivaldo Boaventura no último LUNCH-in.

A década de 30 se projetou com a economia do cacau, que passou a ser o produto de exportação mais importante da Bahia, superando o açúcar e o fumo.

Salvador se moderniza mais uma vez. Foi construída a nova torre do Elevador Lacerda que deixou de ser um elevador hidráulico passando a ter tração elétrica. Chico ironiza os atuais gestores públicos dizendo que o Elevador Lacerda foi construído pela iniciativa privada, foi totalmente reformado pelo município com recursos próprios e hoje o município não tem recursos para uma boa manutenção. Mal consegue manter as quatro cabines funcionando, passando períodos de completa inatividade. Muitos turistas que vieram a Salvador em navios de cruzeiro não puderam ir ao centro histórico por que o Elevador Lacerda passou quatro meses inativos.

Nos anos 50 tivemos a construção do Estádio Octávio Mangabeira, hoje tratado como Arena Fonte Nova, ironiza Chico, destacando a perda de nossa história. Na época em que foi construído o local era perfeito para a construção de um estádio, mas hoje, Chico tem dúvida. Na China foi construído o “Ninho”, um estádio que é referência mundial de arquitetura com a metade do valor, além de ser voltado para a educação dos jovens. "O nosso é para espetáculos de Axé".

Salvador é uma cidade de colinas e ladeiras, nos anos 60 foi para os vales e a cidade começou a descer ladeira.

A cidade tem dois ecossistemas: a área litorânea atlântica plana, com dunas e vegetação rasteira e o litoral da Baia de Todos os Santos com recuos, ladeiras, encantos e a mata atlântica, ou o que sobrou dela. Pena que nossos governantes não souberam planejar nosso crescimento pelo lado da Baia de Todos os Santos. Teríamos uma Côte D’Azur. Este é o lado degradado de uma cidade que cresceu absolutamente sem planejamento e sem infraestrutura a partir da avenida suburbana.

Nos anos 70 foi construído o Polo Petroquímico. "A população não cresceu, explodiu." Nos anos 90 demos um grito de socorro! Hoje temos um centro histórico que o baiano não frequenta e o turista dificilmente chega lá. Toda a região desde o Pelourinho até a Lapinha e na outra direção até a Saúde possui as mesmas belezas e riquezas arquitetônicas, construções de uma história viva que não soubemos preservar.

Chico Senna encerra com um texto de Antônio Risério, realista e otimista, publicado na revista Muito do JORNAL A TARDE.

"Você conta no livro que, há 350 anos, 30 pessoas morreram num desabamento de encosta em Salvador. E que, em seguida, houve discursos pedindo obras de contenção. Será que daqui a 350 anos nossas tragédias urbanas serão iguais?

Nem mesmo sei se esta cidade ainda vai existir daqui a 350 anos. Se ficar por conta de nossos atuais governantes, vai ser difícil resistir tanto. Mas admitamos que sim. E aí é preciso acreditar que as coisas vão mudar, mesmo que agora seja a própria cidade, em seu conjunto, que está se convertendo em vasta tragédia urbana. Não é mais um deslizamento aqui, um congestionamento ali, um desabamento acolá – agora, é a cidade inteira que está naufragando. Mas a verdade é que, ao longo de nossa história, já demos belos exemplos de altivez e criatividade, superando revezes e crises. E temos de recuperar isso para nos reinventar e seguir adiante. Uma missão que cabe ao conjunto da população, já que devemos confiar cada vez menos nesse bando de charlatães e corruptos que, salvo raríssimas exceções, são os políticos profissionais. Eles não estão interessados na cidade, mas na jogatina deles."

Marcos Vinicius pede à plateia que não façam perguntas, mas apresentem soluções. A partir daí, muitas são as contribuições que levam inclusive Chico Senna a posicionar-se como um lutador que usa a palavra como arma.

Questionado quanto à verticalização de Salvador, Chico se insurge contra o PPDU. Que se encontra suspenso sob liminar decorrente de ação movida pelo Ministério Público. Chico classifica o texto de “criminoso” e lembra que um único vereador na noite que antecedeu a votação da referida Lei introduziu sozinho 300 emendas ao texto que foi aprovado no dia seguinte sob a forte pressão do governo do município.

"Sou baiano, ogã do terreiro Casa Branca, de origem portuguesa. Tomo café com mandioca indígena, almoço com o dendê africano e janto uma sopa portuguesa."

"Quando em 29 de março fui convidado pela Câmara Municipal para realizar uma palestra em comemoração ao aniversário de Salvador, fui de terno preto. Estou de luto, não tenho o que comemorar, Salvador está vivendo sua maior destruição e a história não perdoa, cobrará dos senhores!"

"Um canal de TV colocou em eleição: Qual o maior brasileiro de todos os tempos? Não votei, se tivesse votado, seria em Ruy Barbosa."

"Aos que acreditam que escolhemos onde e quando nascer, escolhi nascer na Bahia na década de 50, pensando que a história da cidade seria congelada. Me dei mal!"

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